Crônica: Os Livros e Eu

Minha mãe, que sempre foi uma grande leitora, lia para mim. Mas como eu queria fazer isso sozinha, quando estava aprendendo a letra C já lia a cartilha inteira.

Ainda criança ganhei de minha prima uma coleção do Monteiro Lobato. Depois, além dos meus próprios, comecei a pegar livros emprestados da Sala de Leitura e por isso ganhei um diploma de maior leitora da escola. Através dos livros:

Quando Kidoko Dorme aprendi que a vida passa se dormimos demais.

O Menino de Asas tomei conhecimento dos males causados pelo preconceito e o bullying.

A Fada que Tinha Ideias entendi a importância de questionar as verdades tidas como absolutas.

Meninos sem Pátria conheci os males que a ditadura causou no país.

Açúcar Amargo enxerguei os problemas enfrentados pelos boia frias.

Capitães da Areia conheci como é a vida nas ruas.

O Pequeno Príncipe e Fernão Capelo Gaivota refleti sobre o que realmente importa na vida. 

Nada de Novo no Front visualizei os males da guerra.

Quando estava com vinte e poucos anos, tive um namorado que gostava muito de ficção científica. Despertei o interesse pelo estilo e me apaixonei por Contato, que traz uma visão fantástica sobre política e sociedade. Foi quando descobri que os livros na grande maioria das vezes são bem melhores e mais completos que os filmes.

Durante a pandemia quase não lia, estava sem concentração. Até que um amigo criou no ano passado um Clube do Livro. Desde então retomei meu gosto pela leitura o que fez muita diferença em minha vida:

Olhos D’Água da Conceição Evaristo permitiu que eu entrasse em contato com um mundo que não é o meu de mulher branca de classe média.

Conheci uma forma diferente de pensar e enxergar a vida através de O Estrangeiro.

E a importância da cultura em nossas vidas com o Vamos Comprar um Poeta.

O mais recente, da Aline Bei, O Peso do Pássaro Morto, me fez enxergar como o machismo estrutural afeta nossa sociedade e como a violência contra a mulher pode trazer prejuízos para toda a vida.

Além de todos esses benefícios percebi que a leitura me tornou uma pessoa mais difícil de manipular. Gostaria que outras pessoas também tivessem a mesma oportunidade que eu tive. Por isso, sempre que possível estimulo a leitura, seja através da minha escrita ou doação de livros. Parece pouco, mas para alguém pode fazer a diferença. E, se cada um fizer sua parte, por menor que seja, podemos transformar o Brasil em um país


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